quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

[é preciso amar com calma]



é preciso amar com calma para não partir
para que não haja riscos
para que cada gesto fique bem no seu lugar
os sentimentos e os corpos permaneçam
ordenados e planos como as areias

é preciso ser paciente
para tratar de que o amor não adoeça
nem trinque de susto, ruído ou sobressalto
porque amor é sempre menino
mesmo que nasça em coração já gasto

é preciso que as ondas se quebrem suavemente
que o sol não seja por demais intenso
que o vento vente brisa
e que a chuva caia mansa e sem raios
pois amar é sempre delicado

é preciso finalmente deixar-se
barco sem velas de si abandonado
porque amor é livre e liberta
é reencontro diário na praia deserta
do desejo inesperado



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imagem: Mário Bhering - Marinha ao Entardecer
fonte da imagem: http://www.palaciodosleiloes.art.br/leilao/2006_nov/images/005.jpg

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

sons



mar e vento
encontro sinfônico

procura por dentro os acordes harmônicos
que poriam doçura em seu canto
e tons dourados na superficie verdeazulada

abrem-se-lhe as portas do ser
torna-se transparecido e etéreo
ele próprio todo água azul e verde e espuma branca

capturado no compasso de vento e mar
como reflexo no horizonte
um brilho
uma saudade
um olhar

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ø

pensava em nada
nada queria
nada sonhava
que sonhar cansa
e de tão cansada
a boca abria
sem som nem palavra
que só falaria
de desesperança

desespero mudo
de olhar seco
no tempo perdia
o movimento
perdia a estrada
o trem e a passagem
perdia a vida
enquanto ficava
sempre parada
mortificada