segunda-feira, 11 de outubro de 2010

SONETO EM SÍNCOPAS


Amor tem sempre razão
mesmo que dela amiúde assim tão desprovido.
Amor ordena o sem sentido
põe umas gotas de vida

onde a morte andava escondida.
Adoça um tanto a amargura,
que o melhor de amar é a fartura
das sensações que, qual vento,

sopram asas-movimento às ideias e aos corpos.
Assim magicamente tocados
fazem vôos, vão distante...

Amor põe cores, cheiros, gostos
em imagens branco-e-sépia esquecidas na memória.
Amor subverte o tempo: transforma em antes o agora.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

IMPRESSÃO, SALVADOR DESPERTA

luz de sol

amarelo universo

claro

cintila

ofusca

deslumbra meu olhar acostumado à escuridão opaca

brilho

mundo resplandece

verdeazulados respingos

tingem-me a pele branca de areia iridescente

calor

contrastes

gente morena

dentes brancos

refletindo o mundo

nos sorrisos abertos que me abraçam

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

weg


de longe, me olham
- o que verão?
não me captam
sequer de mim suspeitam
impedidos que estão
por tantas certezas
vendas e ataduras

- vês os pássaros, meu amor, vês?
voam sem saber que voam
a simplicidade da vida sem palavras
resumida ao genético bater ritmado das asas...

quem sabe, se eu fosse pássaro...

mas meu vôo, amigo, é solitário
e não há de ser pelo calor do sol
que migro
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Imagem: Salto, Thomaz Farkas