sábado, 2 de junho de 2012

LUA



















viver no mundo da lua
sem peso, sem som, sem dias
viver livre como se cada vida
fosse nada mais que uma rua
sem começo, sem fim, sem esquinas
viver apenas o instante
a reta ou a curva que os passos
traçam, aleatórios, adiante

viver no mundo da lua
sem gravidade, sem quedas
soltar o corpo e o riso
lunaticamente liberto
esparso como pó
pelo universo

segunda-feira, 28 de maio de 2012

ZERO


estreito
a luz é pouca
há neblina
o som tão vago
sem sentido
a voz mais rouca

vertigem, vertigem
abismo infinito
do universo do avesso
ecoa o grito

tudo escuro
muito escuro
sem lado, sem cima, sem baixo
sem antes
nenhum futuro
tempo estático

agora apenas
sempre o mesmo
sem destino
voa a esmo
talvez corpo
talvez pouco
tudo morto

domingo, 15 de abril de 2012

ESPELHO


tincas rachaduras                                                                                                   
cicatrizes
umas fendas
ou talvez apenas
marcas de tempo
sinais de passagem
escoamento
da vida
sempre
absoluta
totalmente desprovida de sentido