domingo, 25 de julho de 2010

pântano


a areia é movediça e prende os pés

os pés presos na areia movediça

se debatem em vão

os braços

braços inúteis na imobilidade

a areia é movediça e aperta o peito

o ar não entra nos pulmões restritos

tudo murcha

a vida murcha

a vontade murcha

o sonho morre

asfixia

na areia movediça

a vida perde-se

em vão

o corpo imóvel desespera

onde só a areia movediça

move

vive

engole, vampira, as almas incautas

em corpos envelhecidos


imagem: o sono da razão, francisco goya

`

3 comentários:

L. M. disse...

Profundo. E como tudo o que é profundo, belo.

pio rambo disse...

Muito bacana! Gostei!

Renata de Aragão Lopes disse...

O tempo,
essa areia movediça.

Muito lindo!

Beijo,
Doce de Lira