sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

VÁCUO


para Nilza


foi para poder dormir
que inventei um deus que sonhava :

num tempo reverso

estávamos juntas

sentadas à mesa

contando entre risos

cotidianas migalhas



foi para poder acordar
que sonhei com um deus que criava:

à imagem de minha vontade

estavas comigo
invisível, intocável

presença incorpórea

sussurro no ouvido



foi para seguir em frente

que criei esse deus que inventava:

do aconchego de antigas lembranças

o cheiro doce

café com bolinhos

abriu o portal inefável

das dimensões desencontradas



foi, assim, para estreitar o abismo

que deus fingiu crer que era eu que sonhava:

à semelhança da tua saudade

estavas com tua menina

embaladas por vago piano

o olhar cúmplice

e as mãos dadas


`


2 comentários:

Ari Pedro disse...

lindo!

queria ser seu amigo pra ganhar um poema assim...

Pat.Rati disse...

Lindo! Muito lindo!