sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ø

pensava em nada
nada queria
nada sonhava
que sonhar cansa
e de tão cansada
a boca abria
sem som nem palavra
que só falaria
de desesperança

desespero mudo
de olhar seco
no tempo perdia
o movimento
perdia a estrada
o trem e a passagem
perdia a vida
enquanto ficava
sempre parada
mortificada

6 comentários:

Ju Blasina disse...

Nossa... Teus versos me deixaram sem palavras. Até perdi alguns instantes do viver, hipnotizada... Lindo!

Sorana disse...

lindo demais...adorei

Marcelo Novaes disse...

Márcia,




Ainda que parada, algo aprenderia nessa equação silenciosa.






Beijos,








Marcelo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Márcia,

que poema belíssimo!
Confesso que fiquei
como a Ju Blasina:
sem palavras,
por alguns instantes...

O que teria conduzido
você a escrevê-lo?
A desesperança
diante do mundo?
O desespero mudo
diante de tantos
acontecimentos?

Em um segundo momento,
apavorei-me com a imagem!
Lembrou-me o filme
"Presságio",
que fala exatamente
do Apocalipse.

Fiquemos em paz, querida!

Um grande abraço,
doce de lira

BAR DO BARDO disse...

Elegíaco...

Guilherme Augusto Rodrigues disse...

Que beleza seu blog, como sempre.
Este foi o poema de que mais gostei, dos três que li. Do nada ao nada, e assim uma poesia. O niilismo.
Obrigado pela beleza de seu blog.
Espero uma visita ao Reciclagem.