terça-feira, 18 de agosto de 2009

muda



o branco do papel é o dos olhos
cravado em mim como dardos
à espera e à espreita das palavras
que deveriam ter se soltado
da ponta dos dedos ou da mente
ou do coração ou do estômago
palavras com cheiro de corpo
que oferecessem uma rima
uma idéia com sentido ou beleza
a desfazer a brancura
da folha virgem e nua

mas este corpo recluso
recusa-se hoje a falar
fecha-se
e tudo que encontro são rastros
sons amorfos, letras mudas
que não se conectam a nada

minha poesia hoje é calada

'

imagem: Blue Nude, Pablo Picasso

6 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

E, mesmo calada,
ela diz...

Lindo.

Marcelo Novaes disse...

Márcia,





Quando as palavras não se soltam, olhemos um pouco mais o branco dos olhos à espreita...




Não há pressa.




;)






Beijos,









Marcelo.

BAR DO BARDO disse...

o branco do marfim no papel
tema antigo reflete
a torre de babel


gostei, márcia!

Maria de Fátima disse...

a sua poesia está madura

Tchelo B. disse...

Vazio lúcido. Vazio que respeita a si mesmo. Que mostra sua verdadeira face, sem qualquer maquiagem a encobrir sua beleza natural. Que se confessa no papel, em versos, com sinceridade. Sem roupas refinadas que o dificulte tatear seu corpo, que encubra sua honesta e bela essência.
Lindo poema Márcia, parabéns.

Alison Schmidt, Fine Art disse...

Hi. My name is Alison Schmidt. The image you used in your post is my painting. The images for my art work are copyright protected. Although, this particular piece is a copy I painted of a Picasso piece, this image is mine. Please remove it from your blog. Thank you.

Alison Schmidt
ASchmidtArt@verizon.net