terça-feira, 25 de agosto de 2009

natureza morta


na fruteira, bananas
lindas e plácidas
exibidas de seu amadurecimento
amarelo
fazem contraste ibérico
com o vermelho rubro
das maçãs sem pecado

na toalha branca
caprichoso richilieu engana a vista
e já não se sabe onde termina a sombra
e onde começa o bordado

a luz de fim de tarde
põe tons de rosa e alaranjado
na cozinha limpa
esvaziada
àquela hora apenas habitada
pelo cheiro do café
recém coado

(na sala, a mulher chora
mas sua dor e seu soluço
não caberiam no quadro)
'
Imagem: Natureza Morta com Maçãs e Laranjas, Paul Cézanne

9 comentários:

há palavra disse...

Belo exercício poético... e de imaginação!
Quando nosso olhar é seduzido a ponto da profundidade do mergulho inverter a lógica da posse: possuímos o que nos possuiu...
Abraços, bons caminhos!

.

P.S.: em minhas aulas, vez por outra uso poemas para estimular o ver a arte - se um dia precisar, posso usar teu poema?

BAR DO BARDO disse...

... o final é para me matar, é?...

você, márcia, me pegou direitinho...

posso dizer que adorei?!

Renata de Aragão Lopes disse...

Márcia,

andas especialmente inspirada...
Que poema magnífico!
Fico feliz por visitar teu espaço.

Um beijo.

Noemyr disse...

Obrigada pelo comentário em meu blog ;)
Beijos no coração!!

Maria de Fátima disse...

que ternura de quadro!
um abraço

Adriana Karnal disse...

ela chora, a natureza é morta,claro.Gostei muito de sua poesia.

Mahria disse...

Eu sei anjo
Ai de nós se não fossem as ilusões...



Meu choro, minha dor, meu soluço, tbm não caberiam em quadro algum...


Bjinhos em Ti!

RUBENS GUILHERME PESENTI disse...

fantástica visão da "natureza morta" que não foi pintada no quadro e nem se esconde atrás do quadro.

Beo! bom! bom!

beijos.

Sorana disse...

aiaiai...lindo Marcia...aperto no coração...lindo....bjo