domingo, 30 de agosto de 2009

tempos


estático na parede
o relógio
já não batem os pêndulos
há tempos sem som
o cuco morreu

os ponteiros como flechas
apontam para o nada
congelados algarismos
desprovidos de sentido

mas há horas...

as horas,
essas caminham lá fora
no dia nublado
escorrido de garoa

as horas
vão passando
inominadas e secretas

as horas, hoje,
sentem frio
`

6 comentários:

tonhOliveira disse...

tempo tempo tempo

faça chuva ou sol
o tempo não para...

Beijos!

RUBENS GUILHERME PESENTI disse...

belo poema e bela ilustração.

essa não-hora que passa!

beijos.

ParadoXos disse...

há horas que falam, essa me disse pra vir aqui neste poema de levar na alma!!

beijo

Marcelo Brañas disse...

Lindo poema, professora.
Beijos,
Tchelo.

BAR DO BARDO disse...

boa descrição do que desejo me esquecer...

horas?
ora bolas!

Renata de Aragão Lopes disse...

Saudades do cuco
da minha infância...

E os relógios, hoje,
quase nem têm ponteiros...

A era digital
trouxe um certo desencanto
- ao menos pra mim,
do ano de 76
e apaixonada pela década de 50!

Um beijo, Márcia!