terça-feira, 14 de junho de 2011

SONETO DESCOLORIDO

todos os pontos me fogem
e fico, assim, sem perspectiva
ponta solta de fio pendente
só uma parte de mim é viva

há tantos traços interrompidos
tantos rascunhos por mim desfeitos
que já não sobram nem cor nem lápis
pra desenhar meu amor-perfeito

fiz a paisagem em aquarela
de traços leves
mãos delicadas

caiu-me a chuva bem no desenho
borrou as formas
o resto é nada
'
IMAGEM: CLAUDE MONET - IMPRESSION: SOLEIL LEVANT

3 comentários:

Patrati disse...

muito bonito!

Breno da Silva disse...

Fantástico soneto!

Verde disse...

Boa tarde marcia, acompanho a algum tempo suas poesias e coloquei uma das suas no meu blog querendo passar lá depois e ar uma olhada
windljr.blogspot.com