quinta-feira, 25 de março de 2010

o silêncio absoluto


elas se acumulam

empilhadas

apertam-se umas às outras

proliferam

multiplicam-se em progressão geométrica


me atordoam, as palavras


elas vêm em jatos

jorram

inundam cada fresta de silêncio

com restos de idéias digeridas

expulsam a música, as ondas, o vento


são gulosas, as palavras


queria um dia - um só dia -

viver livre delas

de seus sons, de seus rumores

ouvir-me emudecida

atenta ao ritmo das vísceras

atenta exclusivamente à melodia do corpo nu

despido de letras

ou à cadência do mar

desprovido de rimas


imagem: juquehy (sp), marcia szajbnok

5 comentários:

Rachel disse...

Liebe Marcia,

ein wundervolles Gedicht...

ich habe es gern gelesen...


herzlich, Rachel

Ju Blasina disse...

O mar de palavras te banha sempre tão bem! Beijus

luizsimbolista disse...

O que é viver sem palavras e rimas então rsrs, boa temática para uma poesia. Muito boa, fico feliz por conhecer teu blog, espero tua visita também!!

Um abraço!!

Alfredo disse...

"Inundam cada fresta de silêncio..."
Que loucura...

Renata de Aragão Lopes disse...

"queria um dia - um só dia -
viver livre delas"

Também adoraria
experimentar esse silêncio
- sobretudo o interno.

Um beijo, querida!