quarta-feira, 19 de novembro de 2008

[há uma dor que é água...]


há uma dor que é água

fluida, ela espalha
se enfia em cada canto
em cada fresta
atrás de toda alegria tola
por baixo de todo riso

é uma água escura
mas mesmo assim
é água pura

é preciso deixá-la entrar
escorrer, percorrer, lavar

é preciso deixá-la inundar
incorporá-la pela pele
em cada célula

que ela seja o solvente
que dilui todo o resto
de outras dores e temores
até que, finalmente
na enxurrada algo se perca
algo se lave
de algo se livre
definitivamente


'


Um comentário:

Mariana Waldow disse...

meu signo é regido pela água. apesar de tanto ceticismo q me habita, acredito em astrologia e poesia. esse teu poema me fez lembrar da natureza volúvel e poderosa da água, e me fez pensar, será q tem idade limite para se lavar? para se livrar definitivamente de algo? será a mente uma prisão, o comportamento mental um vício mais profundo do que o próprio senso de sobrevivência? será a loucura do mundo tão potente que até forças naturais como a água perdem sua chance de reinar? será que a natureza está sendo transgenizada em geral.....
almas como tu me fazem seguir.