sexta-feira, 1 de maio de 2009

[a água me chama...]




a água me chama e quero ir soltar-me deixar-me simplesmente ir com as ondas liberta dos destinos das chegadas das promessas apenas fluindo com as correntes aproveitando cada uma das originais sensações da oscilação de temperatura sobre a pele


a água me chama porque sou eu também mar sou células feitas de água e sal e o contato íntimo com o meu mesmo me pacifica como um reencontro como um regresso à mais primeva origem como à mãe


a água me chama com sua voz melíflua e ritmada e suas canções de maresia criam sereias que atraem marujos esperançosos por braços quentes corpos ardentes amor infinito


quando me deixo ir com a água sou eu a sereia e o marujo


meu corpo é o calor em meio às águas


sou até onde as ondas persistem
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2 comentários:

Compulsão Diária disse...

gosto demais deste texto. depois de ler mais de uma vez esse mar me leva junto. Perigo;)))

Joe_Brazuca disse...

águas e marés hipnóticas, "melfluidificam" todos os cantos sirênicos, magneticamente persistentes...

Muito bom, Poetisa !

abraço !