sábado, 9 de maio de 2009

[retalhos de memória...]


retalhos de memória
esfiapados, frouxos
parcamente alinhavados
num pedaço de lembrança...

partes de uma história
tão antiga, tão distante
esfacelado, foi-se embora
o que restara de infância...

pedaços de parede
porta de vidro na varanda
paisagem feita de azulejo...

apego a um encontro não tido
sem toques, sem vozes
sem a força ameaçadora do desejo...

o resíduo de um amor amarelado
que lá ficou, tão bem guardado,
na esperança de não acabar
sem sequer ter começado...


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Um comentário:

Compulsão Diária disse...

Sim. Esses restos ficam muito bem guardados . Tão bem ali acalmados e bem ditos aqui no poema.
Raro esse poema.