quarta-feira, 4 de março de 2009

[depois de muitas palavras...]




depois de muitas palavras
silêncio
sem fala
mutismo

há ecos que ricocheteiam das paredes
aos ouvidos
há vozes
frases, pragas, profecias, preces

bate um vento:
sons levantam
que estavam esquecidos
poeira velha
sob tapetes adormecidos

bate outro vento:
eles espalham
nuvem de ruídos
interferência
estática
corda partida
acordes invertidos

é preciso água
chuva-pranto que tudo lave
que leve embora
até o último fiapo
da letra desconjuntada

para que a alma fique limpa
leve
finalmente
no silêncio
aconchegada


'

imagem: Andromeda, Salvador Dali

5 comentários:

mika disse...

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J.R. Lima disse...

Lindo, isto!

E a gente se lava e segue em frente, não só pra se sujar5 de novo, mas talvez a vida seja isto mesmo, né?

Compulsão Diária disse...

Esses ventos! Lindo poema. Ventos de palavras, sem poeira..aí sim.
Um daqueles empoeirados, secos acabou de me pegar numa esquina.
Grande Márcia

V. disse...

Adorei esse, Marcia. Ecoa com o hálito frio do esquecimento que bem conheço.

Compulsão Diária disse...

O silêncio da escuta que aconchega as frases, pragas, profecias e preces. Escuta espelho
Gostei muito deste Depois....